quinta-feira, 29 de junho de 2017

Modelo Life Cycle Canvas (LCC) - Gestão de Projetos

Com o aumento da complexidade que envolve o ambiente de planejamento de projetos nas organizações, as próprias ferramentas e os métodos de gerenciamento de projetos também se tornaram mais complexos, gerando dificuldades de compreensão e definição de qual é a melhor forma de planejar e gerenciar projetos nas organizações (Bomfin, Nunes, & Hastenreiter, 2012), como, por exemplo, o guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK), considerado uma referência global em termos de boas práticas de gerenciamento de projetos, que contempla 47 processos de gerenciamento de projetos recomendados. Isso, de fato, se traduz em um gerenciamento complexo, delicado e difícil, principalmente quando se lida com diversas realidades (Whitty & Maylor, 2009, Whitney & Daniels, 2013).

Contudo, existem técnicas e ferramentas visuais, geralmente baseadas em telas (canvas) que estão surgindo com o propósito de gerar maior flexibilidade e simplicidade às práticas de gerenciamento de projetos. A abordagem canvas pode ajudar a apresentar uma visão integrativa e holística da organização, além de trazer informações objetivas e relevantes, melhorando a comunicação entre os envolvidos (Gloria & Gonçalves, 2016).

Dentre os modelos de gerenciamento de projetos surgidos recentemente na literatura, tem-se o modelo brasileiro denominado Life Cycle Canvas (LCC), proposto por Veras (2016), que contém uma base conceitual construída a partir do guia PMBOK, contemplando aspectos associados às grandes áreas de conhecimento; da metodologia Projects in Controlled Environments (PRINCE2), com questões relacionadas ao controle de entregas e estruturas; e do Project Model Canvas (PMC), trazendo a lógica de gerenciamento de projetos em uma tela, e permitindo construir os projetos por meio de um fluxo de trabalho sequencial (figura em sequência):

Modelo Life Cycle Canvas (LCC)
Fonte: Veras (2016).


No modelo LCC, percebe-se que as grandes áreas de conhecimento em gerenciamento de projetos sugeridas pelo guia PMBOK são contempladas de forma direta, como tempo, custos, riscos, compras, comunicações e partes interessadas, ou indiretamente, como premissas, entregas e restrições (escopo), equipe (recursos humanos), e produtos e requisitos (qualidade). A área de conhecimento relativa à integração é considerada por meio da integração entre os cinco grandes blocos diferenciados por cores e que devem ser construídos sequencialmente, explicando o projeto em cinco perguntas básicas, seguindo a estrutura do modelo 5W2H da área de gestão da qualidade:

• Por quê?/Why? – define a razão de existência do projeto, por meio dos campos de justificativa, objetivos e benefícios.
• O quê?/What? – descreve o que é o projeto de fato, por meio do produto do projeto, seus requisitos e suas restrições.
• Quem?/Who? – apresenta os principais grupos de agentes envolvidos no projeto, bem como os meios de comunicação entre eles, tendo como campos principais as partes interessadas, as comunicações e a equipe do projeto.
• Como?/How? – explica as condições necessárias, etapas a serem entregues e as limitações do projeto, representadas pelos campos de premissas, entregas e restrições.
• Quando?/When? e Quanto?/How much? – define os riscos, as datas limites das entregas e os custos principais dos projetos, descritos nos campos de riscos, tempo e custos.

O modelo também traz consigo os principais grupos de processos do ciclo de vida de um projeto, como etapas, em que em cada etapa se tem uma tela do projeto, com possíveis modificações nas áreas de gerenciamento. Contudo, ao contrário do que se tem no PMBOK, no atual modelo há uma divisão clara de início e fim de cada grupo ou etapa de gerenciamento, delimitando de forma sequenciada, com exceção das fases de execução e monitoramento e controle, que ocorrem simultaneamente.

Outro ponto importante a destacar se refere ao que se chama de “artefatos”, que são os principais documentos que devem ser elaborados ao longo do ciclo de vida, como Termo de Abertura do Projeto (TAP), Plano de Gerenciamento do Projeto (PGP), importantes na concepção e no planejamento do projeto. Em linhas gerais, o modelo LCC tenta contemplar as questões inerentes às boas práticas recomendadas pelo PMBOK, e, ao mesmo tempo, dar uma maior dinamicidade aos processos de gerenciamento de projetos em relação às ferramentas de canvas propostas para este campo, fazendo com que a tela de projetos seja modificada ao longo do ciclo de vida.

Referências utilizadas neste trecho:
Bomfin, D. F., Nunes, P. C. A., Hastenreiter, F. (2012). Gerenciamento de projetos segundo o guia PMBOK: desafios para os gestores. Revista de Gestão e Projetos, 32(3), 58-87.
Gloria, I., Júnior & Gonçalves, R. F. (2016, outubro). As barreiras e motivações para o uso da abordagem canvas. Encontro Nacional de Engenharia de Produção, João Pessoa, PB, Brasil, 36. 
Veras, M. (2016). Gestão dinâmica de projetos: Life Cycle Canvas. Rio de Janeiro: Brasport.
Whitney, K. M. & Daniels, C. B. (2013). The root cause of failure in complex IT projects: complexity itself. Procedia Computer Science, 20, 325-330.
Whitty, S. J. & Maylor, H. (2009). And then came Complex Project Management. International Journal of Project Management, 27(3), 304-310.


Referência do artigo: 
MEDEIROS, B. C. et al. Planejando projetos com o Life Cycle Canvas (LCC): um estudo sobre um projeto de infraestrutura pública estadual. Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 155-170, 2016.

Escritórios de Gerenciamento de Projetos (EGPs)

Quando se trata de Escritório de Gerenciamento de Projetos - EGP (Project Management Office - PMO em inglês), pode-se dizer que não se trata, necessariamente, uma abordagem recente. Os EGPs, sob o formato de departamentos, já existiam há algumas décadas, principalmente em áreas como engenharia e construção (Pellegrinelli & Garagna, 2009). No entanto, o seu desenvolvimento aconteceu após o processo de mudança das estruturas organizacionais entre os anos de 1980 e 1990, em meio ao crescimento e importância das ferramentas de gerenciamento de projetos no contexto empresarial. 

EGPs foram concebidos como sendo estruturas de apoio às estruturas funcionais vigentes nas organizações, ajudando organizações e gestores de projetos em várias funções, de acordo com cada necessidade organizacional (Dai & Wells, 2004). Um escritório oferece suporte tanto a nível estratégico, tratando de questões relacionadas à priorização de projetos de maior amplitude organizacional, como também a nível operacional, dando apoio ao gerenciamento destes projetos (Valle, Ferreira, & Joia, 2014).

Quando se trata de tipologias ou modelos de EGPs, há uma diversidade de opiniões e conceitos formados acerca do que vem a ser um EGP em termos de formato e abrangência, além das diferentes formas de implantação e estrutura nas organizações, tendo, portanto, diferentes modelos de EGPs para diferentes problemas organizacionais (Casey & Peck, 2001; Rodrigues, Rabechini Jr. & Csillag, 2006; Hobbs & Aubry, 2007).

Dentro desse contexto, percebe-se o quanto ainda precisa ser explorado e estudado os aspectos que envolvem os EGPs no contexto ambiental organizacional. Pelo fato de que os EGPs fazem parte de uma rede complexa que envolve estratégia, estruturas e projetos organizacionais, há uma necessidade de maior embasamento científico, em termos de teorias organizacionais (Aubry, Hobbs, & Thuillier, 2007).

Observa-se que os EGPs vêm evoluindo em sua forma estrutural no tocante às funções e à sua posição dentro da estrutura organizacional, assumindo novas atribuições que tratam além do estabelecimento de uma cultura orientada à gestão de projetos. Há algumas correntes teóricas que defendem que essa mudança é crucial para justificar a manutenção de uma estrutura de EGP na organização (Hobbs, Aubry, & Thuillier, 2008; Pellegrinelli & Garagna, 2009; Aubry, Müller, Hobbs, & Blomquist 2010; Pemsel & Wiewiora, 2013) e gerar uma maior confiança por parte da alta direção (Spalek, 2013; Ward & Daniel, 2013; Mariusz, 2014). Com esse embasamento, podem-se gerar novas pesquisas que tratem, com maior complexidade e envolvimento de outras variáveis que possam explicar melhor este fenômeno organizacional.

Leia aqui o artigo na íntegra

Referência: Medeiros, B. C; Danjour, M. F.; Sousa Neto, M. V. Escritório de Gerenciamento de Projetos (EGP): uma análise comparativa de artigos nacionais e internacionais. Revista de Gestão e Projetos, v. 7, n. 3, p. 108-123, 2016.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Planejando projetos com o Life Cycle Canvas (LCC): um estudo sobre um projeto de infraestrutura pública estadual

Resumo:

Neste artigo, teve-se como objetivo compreender o processo de construção do planejamento de um projeto público com a utilização do modelo visual de gerenciamento de projetos conhecido como Life Cycle Canvas (LCC), por meio de um caso aplicado no Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Diante das dificuldades relacionadas à utilização das práticas tradicionais de gerenciamento de projetos, considera-se necessário avaliar o uso de modelos visuais como alternativas de gestão de projetos. Para isto, foi realizado um estudo de caso, com a utilização de grupo focal, sendo feita observação participante com análise qualitativa. Os resultados obtidos demonstraram que o modelo LCC se mostrou aderente ao contexto do setor público, gerando maior dinamicidade do processo de gerenciamento entre as etapas de iniciação e planejamento. Identificou-se também nesta pesquisa implicações gerenciais como forma de contribuir para uma reflexão sobre a necessidade de buscar novos modelos para projetos públicos.

Tela do modelo LCC:


Referência: MEDEIROS, B. C. et al. Planejando projetos com o Life Cycle Canvas (LCC): um estudo sobre um projeto de infraestrutura pública estadual. Exacta – EP, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 155-170, 2016.

Artigo completo em: http://www4.uninove.br/ojs/index.php/exacta/article/view/6947/3417

quinta-feira, 12 de maio de 2016

FATORES FAVORÁVEIS À ACEITAÇÃO DE APLICATIVOS MÓVEIS: UM ESTUDO COM ALUNOS DE UMA INSTITUIÇÃO PÚBLICA DE ENSINO

Publicamos um artigo na Revista Sistemas & Gestão sobre fatores de aceitação de aplicativos móveis (assunto relevante da área de TI no contexto atual). Vejam o resumo:
A presente pesquisa apresenta como objetivo geral identificar os fatores favoráveis à aceitação de aplicativos móveis pelos alunos de uma instituição de ensino técnico e superior da Zona Norte de Natal, baseado no modelo TAM (Technology Acceptance Model) proposto por Davis (1989). Quanto aos procedimentos metodológicos, o presente estudo se caracteriza em sua natureza como quantitativo com fins do tipo exploratório, conduzido por meio de uma survey. A amostra utilizada foi do tipo probabilística, aleatória estratificada, composta por 251 discentes do campus da Zona Norte de Natal do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Através de uma análise fatorial, foram identificados quatro fatores que explicam o favorecimento da aceitação de aplicativos móveis pelos discentes, um dos fatores gerados – Intenção de Uso e Facilidade de Uso Percebida – apresenta-se diferente dos constructos do TAM original. Os fatores podem ser interpretados como sendo Utilidade Percebida, Intenção de Uso, Intenção de Uso e Facilidade de Uso Percebida e ainda Facilidade de Uso Percebida. De maneira conclusiva, a Utilidade Percebida é o fator que mais consegue explicar o uso de aplicativos móveis.



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Professores são premiados em simpósio internacional

0/11/2015 - Artigos da dupla também receberam indicação para publicação em revista científica


Os professores Bruno Campelo e Miler D'Anjour têm motivos de sobra para comemorar. A dupla recebeu uma menção honrosa por conta da participação de destaque no IV Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade (Singep). O evento foi realizado de domingo (8) até hoje (10), em São Paulo.
A premiação veio graças ao artigo "Comportamento Estratégico e Grau de Inovação: Um Estudo em Micro e Pequenas Empresas do Setor de Serviços, que apresentou, por meio de uma análise de regressão múltipla, a relação entre o comportamento estratégico de empresas de serviços e o seu grau de inovação. "A pesquisa mostrou que as empresas mais prospectivas têm uma tendência a inovar mais em suas estruturas ", disse Campelo. 


O trabalho, que concorreu com outros 960 trabalhos do Brasil e do exterior ao prêmio, obteve com outro artigo, também de autoria dos professores, a indicação para publicação em revista científica. 

O segundo artigo trata de um estudo bibliométrico comparativo entre os artigos nacionais e internacionais publicados sobre o 'Escritório de Gerenciamento de Projetos, temática de destaque na área de gestão de projetos. O trabalho faz um levantamento sobre como as pesquisas sobre o assunto evoluíram mundialmente nos últimos 10 anos.

Fonte: http://portal.ifrn.edu.br/campus/natalzonanorte/noticias/professores-sao-premiados-em-congresso-internacional-de-gestao-de-projetos

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Professores têm artigos aceitos para encontro internacional

Os professores Bruno Campelo e Miler D'Anjour tiveram dois artigos aceitos para o IV Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade (Singep), promovido pela Faculdade Uninove. O evento acontece entre os dias 8 e 10 de novembro, em São Paulo.
O primeiro artigo trata de um estudo bibliométrico comparativo entre os artigos nacionais e internacionais publicados sobre o 'Escritório de Gerenciamento de Projetos, temática de destaque na área. O trabalho apresenta como as pesquisas sobre o assunto evoluíram mundialmente nos últimos 10 anos.
Já o segundo mostra a relação entre o comportamento estratégico e o grau de inovação de 260 pequenas empresas do setor de serviços da região metropolitana de Natal. "A pesquisa utilizou a ferramenta estatística de regressão linear múltipla para mostrar que empresas que possuem um comportamento estratégico mais prospectivo, com estruturas flexíveis e orientadas para aprendizagem, tendem a serem mais inovadoras", disse Campelo. 
Os artigos também contam com a colaboração de professores da UFRN.
http://portal.ifrn.edu.br/campus/natalzonanorte/noticias/professores-tem-dois-artigos-aprovados-em-evento-internacional

terça-feira, 23 de junho de 2015

Artigo bibliométrico sobre computação em nuvem

Os professores Bruno Campelo e Miler Danjour publicaram um artigo na Revista Tekhne Logos, com o título "COMPUTAÇÃO EM NUVEM: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DOS
ESTUDOS PUBLICADOS EM EVENTOS E PERIÓDICOS NO BRASIL". O estudo faz uma análise bibliométrica dos artigos publicados em congressos da ANPAD, bem como os artigos disponíveis no portal Scientific Periodicals Eletronic Library (SPELL), e artigos obtidos junto à lista de periódicos da CAPES nas áreas de Administração e Ciências da Computação. Os resultados revelaram que há um leve crescimento no que se refere às publicações, mas que ainda existe uma baixa produção científica sobre o assunto no Brasil, comparada a periódicos internacionais, visto que se trata de um tema emergente na área de Tecnologia da Informação.

Para acessar o artigo, basta clicar no link:
A Revista Tekhne e Logos possui conceito Qualis B3 em Administração.

domingo, 15 de março de 2015

Professor do Campus participa de congresso internacional

O professor Miler D'anjour (direita) vai representar o Instituto no V Colóquio Internacional de Epistemologia e Sociologia em Administração, que será realizado entre os dias 18 e 20 de março, na cidade de Florianópolis/SC. 
Na ocasião, o educador fará a apresentação de um artigo científico, que tem por objetivo propor uma metodologia de ensino da gestão estratégica à luz da Teoria da Complexidade. O trabalho, que conta também com a autoria do professor Bruno Campelo (esquerda), foi desenvolvido para contribuir com a melhoria do ensino da disciplina de Estratégia Organizacional, da área de Gestão e Negócios do IFRN.
"O artigo é resultado de uma prática pedagógica realizada com turmas de 4º ano do curso técnico em Comércio, em 2013 e 2014, à qual incorporamos elementos teóricos de complexidade organizacional para gerar reflexões acerca da dinâmica organizacional e da urgência de compreendermos estrategicamente as organizações, considerando suas variáveis complexas", explicou Miler.

O evento

V Colóquio Internacional de *Epistemologia e Sociologia em Administração é um dos principais eventos do mundo no que diz respeito às discussões sobre os avanços *epistemológicos em estudos organizacionais, ou seja, os avanços teóricos nas teorias administrativas.
*Epistemologia é o ramo da filosofia que trata da natureza, das origens e da validade do conhecimento. Relaciona-se com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência, pois, em uma de suas vertentes, avalia a consistência lógica de teorias e suas credenciais científicas.
Fonte: http://portal.ifrn.edu.br/campus/natalzonanorte/noticias/professor-participa-de-congresso-internacional-em-florianopolis-sc